

MIGUEL FARIAS, APRESENTADOR DO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Bancada composta pela Tatiana Pedrosa, Abraaão Marreira, Fred Nascimento e Patrícia Barreto, professores e diretores da Escola João Pernambuco, tendo ao centro o apresentador do Programa Liberdade de Expressão, Miguel Farias
TATIANA PEDROSA
PATRÍCIA BARRETO
ABRAÃO MARREIRA
FRED NASCIMENTO



O Programa Liberdade de Expressão, gravado dia 12 de junho de 2008, Miguel Farias debateu sobre TERAPIAS COMPLEMENTARES. Na mesa, Dr. Paulo Marques, terapeuta de Vivências Passadas e Dr. Ricardo Costa, acupunturista e homeoterapeuta.
Miguel Farias iniciou a conversa, fazendo uma reflexão sobre o corpo humano, que possui partes que interagem entre elas e com tudo funcionando harmonicamente, para termos o que se chama vida. Falou também sobre as especializações que estão pouco a pouco desumanizando um setor que deveria ser o mais interessado em entender o homem em sua diversidade.A enfermidade humana surgiu com a aparição do homem sobre a terra, assim como a necessidade de combatê-la. É comprovado que doenças que ainda hoje afetam a humanidade, levando até a morte, têm as características descritas por antigas civilizações como, por exemplo, os egípcios, há dezenas de séculos atrás.Dr. Paulo Marques, tem toda uma vida dedicada à vida acadêmica, na Unoversidade Federal Rural de Pernambuco, onde recebeu títulos e ocupou cargos importantes. Atualmente, é terapeuta e se dedica a Terapia de Vivencias Passadas.
Na Terapia de Vivências Passadas (TVP) o trabalho pode ser feito basicamente num estado de transe superficial, diferenciado portanto do estado normal de vigília, pois tem características próprias. O paciente da TVP conhece-se a si mesmo a partir de um estado alterado de consciência que se caracteriza por ser ampliado, consciente ou semiconsciente, introspectivo, activo e regressivo. É ampliado porque permite conhecer o que ocorre no inconsciente, possibilitando inclusive eventuais manifestações de cunho considerado paranormal. Neste estado o paciente pode relatar experiências não só do seu passado na sua vida actual inter ou pós-uterina (incluindo o nascimento), como também em vidas pretéritas, ou experiências ultra dimensionais, ou seja, ocorrências que provêm de uma dimensão extra física e interpenetrada nesta. Nas experiências de vidas passadas poderemos ainda subdividir em períodos antes, durante e após a morte física das mesmas.
Existem, no entanto, técnicas de aprofundamento de indução ou transe que podem levar o paciente a estados mais inconscientes, semelhante ao estado de sono profundo, ou mais ligeiros, semelhante ao sonhar semi-acordado.
Nesta terapia o papel do terapeuta é dirigir activamente a experiência do paciente, ajudando a reelaborar as histórias, imagens e ideias fixas que surgem na mente do paciente em estado de transe, por mais breves ou fragmentárias que sejam, pois são pedaços de outras personalidades ou de situações dum passado que poderão influenciar a sua vida actual presente. Ao revivenciar essas memórias, haverá um maior estado consciente e uma reprogramação da vida do paciente, liberando-o de traumas e bloqueios que vêm do seu inconsciente. Daí a necessidade do auxílio do terapeuta, sendo a auto-regressão sem acompanhamento nem sempre aconselhada, devido a não se conseguir os melhores resultados em muitos aspectos.
Esta terapia visa a que o paciente localize e se reveja nas experiências ou situações pretéritas que mais o marcaram, sendo especificamente dirigida de modo a que as reviva em todos os detalhes necessários ou importantes para ele, levando-o a integrar pensamentos, sentimentos e sensações desse período, beneficiando apagar os efeitos negativos dos incidentes ou traumas e, possibilitando assim, que o indivíduo viva a sua vida actual duma forma mais consciente e serena, lidando melhor com a realidade da sua vida presente e livre das questões mal resolvidas do seu passado.
Contrariamente ao que algumas pessoas pensam, a Terapia de Vivências Passadas não se trata de uma forma de enviar alguém para uma vida passada, ou duma viagem astral (saída do espírito fora do corpo), mas sim duma técnica de revivência de memórias do próprio indivíduo gravadas no seu subconsciente e que o afecta ou condiciona interiormente em algo na sua vida actual.
Trata-se de uma terapia completamente segura, que serve para fortalecer o espírito humano, também de reconstituição emocional, utilizando-se processos de indução e relaxamento para atingir um estado que permita ter acesso ao inconsciente, devendo existir sempre previamente uma análise das condicionantes para se conseguir o melhor resultado terapêutico para cada situação.
Dr. Ricardo Costa é acupunturista e homeoterapeuta e nos falou sobre a importância dessa técnica no tratamento de várias doenças, explicando sobretudo que a acupuntura é uma técnica de tratamento que consiste no estímulo de pontos determinados da superfície da pele. Podem ser utilizados neste processo agulhas, ventosas, massagens, e até o calor proveniente da queima da moxa, preparada à partir da erva artemísia (moxabustão).













No Programa Liberdade de Expressão gravado dia 06 de junho de 2008, foi debatido o tema: TATTOO: ARTE NO CORPO










No Programa Liberdade de Expressão, gravado dia 09 de junho de 2008, foi debatido o tema: CULTURA HIP HOP
Na mesa de debates, o ZÉ BROWN, o JOV,o MIGUEL FARIAS, a NINA RODRIGUES e o LULA DIAS, que deu um recado especial
Mesa de debates desta feita com o MC PABLO e para conversar sobre a Cultura HIP HOP, um movimento cultural, político e social. A utilização dos elementos artísticos do Hip Hop (MC, Dança de rua, graffit, Dj e do quinto elemento, o Conhecimento), como veículo aglutinador da juventude, para a construção de um verdadeiro processo de cidadania dos jovens de periferia, e que é encarado como o maior desafio da história do movimento.Todos os convidados do Liberdade de Expressão, têm uma história no movimento, mas não poderíamos deixar de falar do Zé Brown, um ícone do Movimento, quando no início da década de 90, no Alto Zé do Pinho, outrora uma das áreas marginais mais violentas do Recife, hoje celeiro de bandas jovens e movimentos sociais o Zé estava na banda Faces do Subúrbio, formada por jovens da periferia, num esquema recorrente por esse mundo afora: sob forte influência do movimento hip-hop americano, reduto do protesto e da consciência social de jovens negros excluídos nas grandes cidades americanas. Segundo Zé, “Eu também já fui muito influenciado pela cultura norte-americana . Usava uns casacos grandes, além uns pingentes invocados e umas correntes. Depois de um tempo, eu passei a perceber que a gente vivendo num clima desse, extremamente quente, e eu usando roupas como se estivesse no Pólo Sul.” Zé, que ganhou o apelido porque vivia pra cima e pra baixo com um disco de James Brown nas festas de break no Alto, e seus companheiros, não apenas trocaram os pesados casacos pelas camisetas e bermudas como vestiram suas letras com a temática da realidade circundante, como, grosso modo, ocorre com o movimento hip-hop por toda a América Latina. Por fim, cada vez mais, essa identificação com o universo local levou às famosas raízes: Zé lembrava quando menino ia à cidade com sua mãe e ouvia encantado nas praças os emboladores Caju e Castanha, Rouxinol e Beija-flor improvisando ao som do pandeiro, numa sucessão de rimas em alta velocidade.Adulto, já conhecido como um rapper de respeito, percebeu algumas afinidades entre os dois gêneros, especialmente nos versos livres, rimas repetidas e na batida rítmica, e passou a compor, escrevendo as letras e colocando a embolada, a poesia do rap com a batida da embolada. Hoje, Zé Brown (José Edson da Silva, nascido no Recife, Segundo Grau completo), além de músico é arte educador, participando de projetos sociais com crianças em situação de risco em bairros pobres como Arruda e Santo Amaro, além do próprio Alto José do Pinho.

email: rapperjov@gmail.com - fone: 87714384

NINA RODRIGUES MC, COLUNISTA DO SITE http://www.vermelho.org.br/, VOCALISTA DO CONFLUÊNCIA E VOCALISE
email: n.ninarodrigues@gmail.com

LULA DIAS, QUE INICIOU NO BREAK E HOJE FAZ REPENTES DE RUA VIVENCIANDO O COTIDIANO
MC PABLOemail: pablo_cavalcanti@hotmail.com




No Programa Liberdade de Exoressão gravado no dia 30 de maio de 2008, foi debatido o te,a; PRODUÇÃO INDEPENDENTE
Na mesa, os convidados Cecília Arruda, da Banda Parabelos, Flávio Mamorra, da AMP, Jefferson Moura da Fábrica Estudios e Tico Rodrigues, da Banda Semblante
Tico Rodrigues, vocalista da Banda Semblante, som feito com Guitarras pesadas, vocal melodico diferenciado,bateria explosiva e um baixo trabalhado... isso eh que faz a SEMBLANTE ser a grande diferenca.SEMBLANTE eh :- TICO - Voz- GUGA - Guitarra- J.RICARDO - Baixo- FITO- Bateria-SEMBLANTE contatos:Fones:(81) 8768 -5306EMAIL-producaosemblante@yahoo.com.brSEMBLANTE links:- SEMBLANTE no PALCO MP3-www.palcomp3.com.br/semblante- SEMBLANTE no Orkut - Comunidade Oficialhttp://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=10118542-SEMBLANTE no cifra clubhttp://cifraclub.terra.com.br/cifras/semblante/-SEMBLANTE fotologhttp://www.fotolog.com/bandasemblanteweb page:Cecília Arruda, Compositora e vocalista da Banda Parabelo. O "Parabelo" vem da arma cangaceira típica do interior do Nordeste, cuja alcunha descende do parabelum, pistola alemã, e além de dar nome à banda é também título do primeiro CD-EP (2007) com a participação especial do músico Carlinhos Lua (flauta e sax). Trabalho idealizado e produzido pela banda, da gravação a capa artesanal!Felipe Pinto (violão e cavaco) é de Casa Amarela; Cecília Arruda (vocal) e Dhiogo Rezende (percussão) são de Recife e estudaram em Nazaré da Mata; Ramsés (bateria) de Olinda e estudante da Zona da Mata; Marcos Henrique (baixo e voz) e Luiz Henrique (violão e voz) também são de Olinda.***Todos trazem suas vivencias individuais para o universo temático e para a sonoridade da banda.
Jefferson Moura, da Fábrica Estudios, localizado no bairro da Várzea, a margem da mata do Segredo, uma das maiores reservas de área verde da cidade, o Fábrica oferece um ambiente ideal para a criação e produção musical dos mais diversos estilos. Seguimos a filosofia de fazer com que cada trabalho musical tenha um tratamento diferenciado, agregando tecnologia de ponta, salas acusticamente tratadas, profissionais treinados e um local tranqüilo e inspirador.Os aspectos técnicos também são fundamentais, dessa forma, o Fábrica investe em uma estrutura de primeira e profissionais qualificados, além de trabalhar com todo tipo de manipulação de áudio, desde gravação e edição de CDs e DVDs, até gravação de shows ao vivo e produção de trilhas sonoras. Outra vantagem dos nossos estúdios é que em toda produtora de áudio o CD fica pronto e o trabalho termina. Mas no Fábrica Estúdios é diferente. Produzir é só uma parte do que podemos fazer por nossos clientes. Aqui no Fábrica você grava o seu cd, faz a capa do disco, consegue contatos com distribuidoras e até grava um videoclipe.
Vários nomes já passaram pelo Fábrica. Naná Vasconcelos, Cordel do Fogo Encantado, Arto Lindsay, Chico César, Mundo Livre S/A, A Roda, Silvério Pessoa, Inaldo Moreira, Mônica Feijó, Suvaca di Prata, Superoutro, Mula Manca e a Triste Figura, Reginaldo Rossi, Adilson Ramos, Coquistas do Amaro Branco, Siba e Fuloresta do Samba, Poetas da Mata Norte, Bonsucesso Samba Clube, Flávio Guimarães, Sheik Tosado, Lucas dos Prazeres e Raízes de Quilombo, Zeferina Bomba, Mestre Salustiano, Maciel Salustiano, Grupo Terra, Think of One e Ntoumos (Bélgica), Areia Projeto, Choro Brasil, Songo, Variant TL, Marcelo Santana, Cascabulho, Mombojó, Sexteto Capibaribe, River Raid, Antônio Nóbrega são alguns dos artistas que nos deram a possibilidade e o prazer de contribuir em seus projetos.
SERVIÇOS:·Gravação de áudio para CD
·Gravação de áudio para DVD (Unidade Móvel)
·Produção·Mixagem 2.0 e 5.1·ISRC
·Masterização
SERVIÇOS PRESTADOS POR PARCEIROS:
·Músicos·Making off da gravação·Faixa multimídia
·Vídeo clipe da banda·Prensagem de CD
·Prensagem de DVD
·Web designer
·Fotógrafos
.Captação e finalização de imagem para DVD
Flávio Mamorra, da Articulação Musical Pernambucana - AMP - Uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em outubro de 2003, por iniciativa de músicos profissionais, técnicos de sonorização e iluminação, cenográfos, produtores culturais, jornalistas, radialistas, videastas, fotógrafos, divulgadores, distribuidores, sociólogos, atores, designers, advogados entre outros profissionais de diversas áreas.Tem como objetivo principal articular, organizar e capacitar pessoas interessadas em desenvolver programas, projetos e propostas de políticas públicas, que através da música promovam sustentabilidade para os seus beneficiários e transformação social numa perspectiva de uma sociedade mais justa. Nesse sentido, há mais de dois anos a AMP, em sua atuação como interlocutor da sociedade civil junto ao poder público, tem exercido uma prática de economia solidária incomum no meio artístico. Contanto com a disponibilidade de profissionais de reconhecido valor, para o exercício da cooperação e trabalhos colaborativos.Considerando o alto pontencial da arte, enquanto instrumento de tranformação social, um grupo de artistas e profissionais ligados à música percebeu a necessidade de trabalhar num processo de construção coletiva para atingir o mesmo ideal de uma sociedade mais igualitária nas oportunidades. Essa atitude inegavelmente, situa-se numa proposta de valorização da música pernambucana, um dos setores mais desfavorecidos diante da sociedade de consumo, do monopólio dos meios de comunicação, do poder hegemônico das grandes corporações do entretenimento e da banalização da cultura em geral.




















ASTROGILDO SANTOS - PRODUTOR CULTURAL - DIRETOR DA A-SIM
MÁRCIA SOUTO - SECRETÁRIA DE PATRIMÔNIO, CULTURA E TURISMO DE OLINDA
MIGUEL FARIAS - APRESENTADOR DO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
JOÃO ROBERTO PEIXE - SECRETÁRIO CULTURA DA CIDADE DO RECIFE
FERNANDO VELOSO - SECRETÁRIO DE CULTURA DA CIDADE DO PAULISTA
ZÉ TROVÃO - CANTOR E COMPOSITOR -
No programa Liberdade de Expressão gravado dia 16 de maio de 2008, foi debatido o tema PERSPECTIVAS DE MUDANÇAS ATRAVÉS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS, com a presença do Produtor Cultural e Diretor da A-SIM, Astrogildo Santos, Secretário de Cultura do Município do Paulista, Fernando Pessoa, Secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe e da Secretária de Cultura da Cidade de Olinda.
No Brasil a relação entre o Estado e a cultura tem uma longa história. Entretanto a elaboração de políticas para o setor, ou seja, a preocupação na preparação e realização de ações de maior alcance, com um caráter perene, datam do século XX e para mudar estruturas sociais, econômicas e políticas há que se mudar, antes de tudo, a prática humana. Mudando as pessoas muda-se a sociedade. Por isso, a cultura assume uma condição omportantíssimo no processo de mudança social. Qualquer que seja a perspectiva de mudança passará pela dimensão cultural. Assim, é forçoso reconhecer que a cultura assume categoria importante no desvendamento da organização social e dos padrões estabelecidos na sociedade. É difícil avançar na mudança estrutural sem que haja modificações nas práticas sociais de sujeitos e entre homens e mulheres. Na cultura política contemporânea, tomando-a como conjunto de crenças, atitudes e comportamentos, coexistem práticas tradicionais e inovadoras, evidenciadas a partir da realidade social e da relação entre a sociedade civil organizada e o Estado. .
Políticas públicas de cultura: um campo em construção Partindo de um conceito de cultura que englobe o conjunto dos saberes e dos fazeres a relação estado e cultura passa a estar presente no conjunto dos órgãos que compõem o governo. Logo, a elaboração de políticas deve partir da percepção da cultura como bem da coletividade e da observação da interferência nas práticas culturais enraizadas das ações levadas a cabo pelas mais diversas áreas governamentais (saúde, educação, meio-ambiente, planejamento urbano, entre outras). Durante muito tempo a ação do Estado ficou restrita a preservação daquilo que comporia o conjunto dos símbolos formadores da nacionalidade, tais como o patrimônio edificado e as obras artísticas ligadas à cultura erudita (composições, escritos, pinturas, esculturas, etc.). O papel de guardião da memória nacional englobava atribuições de manutenção de um conjunto restrito de manifestações artísticas. As manifestações populares deveriam ser registradas e resgatadas dentro do que poderia ser classificado como o folclore nacional. A partir da década de 1950 os organismos internacionais passam, gradativamente, a trabalhar com a noção de bens culturais, tornando usual a expressão patrimônio cultural. Em 1972, temos a Carta do México em defesa do Patrimônio cultural, que apresenta a definição de patrimônio como o “conjunto dos produtos artísticos, artesanais e técnicos, das expressões literárias, lingüísticas e musicais, dos usos e costumes de todos os povos e grupos étnicos do passado e do presente.” Também nesse momento, dentro da convenção da UNESCO, a Bolívia lidera um movimento pela realização de estudos que apontassem formas jurídicas de proteção às manifestações da cultura tradicional e popular . Surgem em 1989, as Recomendações sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Popular da UNESCO, um instrumento legal que fornece elementos para a identificação, a preservação e a continuidade dessa forma de patrimônio. Em 2000, temos no Brasil, a criação do Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, dando início ao processo de efetivação de um campo específico de atuação dentro da área de preservação de patrimônio. Em 2005, a Unesco propôs a adoção da Convenção para a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, conhecida por Convenção da Diversidade. Seu texto reafirma as relações entre cultura e desenvolvimento procurando criar uma nova plataforma para a cooperação internacional. Um dos seus aspectos mais destacados é a reafirmação da soberania dos países para elaborar suas políticas culturais, tendo em vista a proteção e promoção da diversidade das expressões culturais, buscando criar condições para que as culturas floresçam e interajam com liberdade de uma forma que beneficie mutuamente as partes envolvidas. Depois de ratificada pelos países membros da Unesco a Convenção entra em vigor em março de 2007. Em termos gerais podemos dizer que os primeiros quatro anos de gestão do Ministro Gil foram de construção real de um Ministério da Cultura. Desde a criação em 1985, o órgão passou por uma série de crises e processos de descontinuidade. A gestão do Ministro Weffort (oito anos) foi acompanhada por uma política de Estado mínimo, o que para um ministério que mal havia sido recriado trouxe enormes dificuldades operacionais. Ao terminar tal gestão o Minc tinha como principal atividade aprovar os processos que seriam financiados através da Lei de Incentivo à Cultura. No primeiro ano da gestão do Ministro Gil, foi elaborado um plano de ampla reformulação da estrutura do Minc. Logo de início foram previstas alterações radicais na lei de incentivo. Antes de implementar as mudanças, o Ministério realizou uma série de consultas e fóruns com participação de diversos segmentos da área artística e da sociedade em geral, onde ficaram evidenciadas tanto as distorções acarretadas pela forma da aplicação da lei, quanto sua extrema importância para o setor artístico-cultural. Estavam abertos os primeiros canais de diálogo entre o Minc e a sociedade civil. Internamente foi planejada a criação de secretarias, buscando uma racionalização do trabalho que levasse a uma definição do papel do próprio Ministério dentro do sistema de governo. Foram criadas as secretarias de Políticas Culturais, de Articulação Institucional, da Identidade e da Diversidade Cultural, de Programas e Projetos Culturais e a de Fomento a Cultura. Estava formada uma nova estrutura administrativa para dar suporte à elaboração de novos projetos, ações e de políticas.
Desafios para o processo de implementação de política culturais Uma política cultural atualizada deve reconhecer a existência da diversidade de públicos, com as visões e interesses diferenciados que compõem a contemporaneidade. No caso brasileiro, temos a premência de reverter o processo de exclusão, da maior parcela do público, das oportunidades de consumo e de criação culturais. Nestor Canclini utiliza o conceito de hibridização cultural como uma ferramenta para demolir a concepção do mundo da cultura em três camadas: culta, popular e massiva. O conceito de hibridização abrange diversas mesclas interculturais, não apenas as raciais, que se costuma encaixar no termo mestiçagem, ou as preponderantemente religiosas, categorizadas enquanto sincretismos. A promoção de políticas de caráter mais universal tem como desafio, a questão de um processo de “desigualdade natural das necessidades culturais”.e é necessário ter cautela na aplicação mecânica e simplista de uma política de acesso.. Considerando que a aspiração à prática cultural varia como a prática cultural e que a necessidade cultural reduplica à medida que esta é satisfeita, a falta de prática é acompanhada pela ausência do sentimento dessa privação. A ação na área da cultura tem sido frequentemente vista através de uma visão limitada ao acontecimento episódico, ao evento, inclusive por muitos dos gestores da área pública. Qualquer processo de gestão requer diretrizes, planejamento, execução e avaliação de resultados, e com a cultura não ocorre diferente. Um dos grandes desafios da gestão pública da cultura na avaliação das ações implementadas tem relação com os objetivos e à multiplicidade de efeitos buscados ou por ele alcançados. As ações públicas têm que demonstrar minimamente coerência entre o que se diz buscar e as ações postas em prática. Não existe relação direta de causa e efeito no campo da ação cultural, o que torna complexa a avaliação. Parte das ações interagem com o campo das mentalidades, das práticas culturais enraizadas, necessitando de um tempo mais longo para gerarem resultados visíveis. Nesse caso o grande desafio é o de criar projetos que não sejam desmontados a cada nova administração, gerando um ciclo contínuo de desperdício de recursos e de trabalho. Um dos possíveis caminhos a serem seguidos nesse processo de construção de políticas de longo prazo é o do envolvimento dos agentes atingidos por tais políticas. O país vive hoje um movimento contínuo de construção de projetos coletivos de gestão pública nas mais variadas áreas. São cada vez mais atuantes os conselhos que contam com a participação efetiva da sociedade civil. Os produtores, os agentes, os gestores culturais, os artistas, o público em geral, também vêm buscando formas de participar e de interferir nos processos de decisões no campo das políticas públicas culturais. Ressurgem movimentos de valorização das manifestações culturais locais que incentivam tanto a redescoberta dos artistas da comunidade, como de novas formas de produção artístico-culturais. Aumentam as demandas por uma maior formação e especialização dos agentes culturais locais em todos os níveis, do artesão aos responsáveis pelas atividades burocráticas, que devem implementar seus projetos buscando uma autonomia cultural. A base de um novo modelo de gestão está no reconhecimento da diversidade cultural dos distintos agentes sociais e na criação de canais de participação democrática. A tendência mundial aponta para a necessidade de uma maior racionalidade do uso dos recursos, buscando obter ações ou produtos (um centro de cultura, um museu, uma biblioteca, um curso de formação) capazes de se transformar em multiplicadores desses ativos culturais. É a falência do modelo de uma política de pulverização de recursos, como foi o caso do Programa de Ação Cultural da década de 1970, que, mesmo cobrindo vastos espaços territoriais, não evitou a falta de integração entre eventos que foram percebidos e vivenciados de maneira isolada, ou seja, mobilizou uma grande soma de recursos com um resultado pequeno, mas que ainda vem sendo insistentemente utilizado por algumas administrações. No caso brasileiro, encontramos, nos diversos níveis de governo, órgãos responsáveis pela gestão cultural. Em todos eles estão presentes os problemas da carência de recursos. É fundamental definir as relações que podem e devem ser estabelecidas entre os vários órgãos públicos de gestão cultural nos níveis federal, estadual e municipal, e destes com outras áreas governamentais, com as instituições privadas e com a sociedade civil. Existe uma série de competências legais comuns entre a União, os estados e os municípios. Entre as quais podemos destacar a função de proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais e os sítios arqueológicos. Uma conseqüência visível disso é a da existência de uma série instituições como museus, centros culturais, galerias de arte, bibliotecas, teatros, etc., sob administração indistinta da União, dos Estados e dos municípios. Estas instituições possuem acervos similares e promovem, muitas vezes, atividades idênticas sem ao menos buscar uma integração, ou um planejamento partilhado. Não existem políticas nacionais, por exemplo, de gestão desses acervos. Não existe um lugar que centralize essas informações permitindo ao governo um real conhecimento da atual situação, subsídio indispensável para a elaboração de políticas. Há a necessidade de realizar algumas partilhas de tarefas entre os diversos níveis de governo, evitando duplicidades ou, ao contrário, omissão de ações, como comumente ocorre na área dos bens tombados. A diversidade cultural coloca em pauta a questão da democratização cultural. Um processo contínuo de democratização cultural deve estar baseado em uma visão de cultura como força social de interesse coletivo, que não pode ficar dependente das disposições do mercado. Numa democracia participativa a cultura deve ser encarada como expressão de cidadania, um dos objetivos de governo deve ser, então, o da promoção das formas culturais de todos os grupos sociais, segundo as necessidades e desejos de cada um, procurando incentivar a participação popular no processo de criação cultural, promovendo modos de autogestão das iniciativas culturais. A cidadania democrática e cultural contribui para a superação de desigualdades, para o reconhecimento das diferenças reais existentes entre os sujeitos em suas dimensões social e cultural. Ao valorizar as múltiplas práticas e demandas culturais, o Estado está permitindo a expressão da diversidade cultural. Questões presentes e desafios para o futuro Podemos afirmar que hoje duas questões centrais compõem a pauta das políticas de cultura: a da diversidade cultural e a da economia da cultura. As problemáticas que as envolve têm uma série de pontos interseccionados, alguns deles serão apresentados a seguir, acompanhados por possíveis formas de atuação na elaboração de políticas. O primeiro ponto é o da defesa da diversidade como elemento fundamental para a continuação da existência das próprias sociedades e que comporta como proposições de política: - Aquela que considera os vários aspectos da diversidade, não se contentando, por exemplo, com a mera preservação do variado como na construção de um enorme museu de “objetos” vivos, destinado ao prazer daqueles que são de fora daquela comunidade. - Promoção da diversidade como lugar de diálogo constante entre grupos e não como lugar da formação de grupos isolados. - Utilização da questão da diversidade como bandeira fundamental contra o processo de globalização uniformizadora. O segundo ponto é o de que é essencial a garantia e a defesa dos produtos e do mercado cultural, ou seja, é o que diz respeito a forma de ação do Estado sobre o mercado de bens culturais, regulando os excessos e que pode ter como objetivos principais: - Implementar ações que inibam a intervenção mercadológica devastadora (como, por exemplo, alterações de calendários e de tempo de duração) em festejos e celebrações tradicionais. - Desenvolver ações que elevem o grau de autonomia de decisão dos grupos envolvidos sobre os bens e serviços culturais. - Adotar medidas que garantam um tratamento diferenciado entre os produtos culturais e os mercantis. O terceiro ponto é o da implementação de uma maior abertura no intercâmbio cultural internacional. A manutenção da diversidade não implica na geração de um processo de isolamento cultural. Há a necessidade da realização de intercâmbios diversos, em condições equilibradas e não a submissão ao tipo de relação que vem sendo imposta pelo crescente processo de globalização. Para tanto podem ser elaboradas políticas que visem: - Apoiar ações pautadas em relações transnacionais, sem submissões ou dependências. - Criar políticas de defesa da circulação da produção cultural em níveis mundiais, elevando ao máximo a idéia de diversidade. - Ampliar o conceito de globalização, diferenciando-o da dominação cultural norteamericana. - Formular procedimentos que estimulem o efetivo cumprimento dos acordos internacionais no campo. - Implementar de ações que coloquem cada vez mais a cultura como um dos elementos centrais nos acordos internacionais. No quarto ponto está a necessidade de tratamento das manifestações culturais como parte do patrimônio de um povo, que deve ser protegido frente a ameaças de natureza diversa e que necessita de políticas que contribuam para a: - Elaboração de formas de ação quando por um motivo qualquer um grupo, tradição ou manifestação se veja ameaçado de desintegração e/ou desaparição. - Formulação procedimentos que recuperem a capacidade do Estado de regular, de proteger e fomentar a produção cultural. - Promoção de ações com a consciência de que cultivar a diversidade implica, sim, em abalar o conceito tradicional de nacionalidade. É necessário atualizar os marcos conceituais. O quinto ponto diz respeito à importância da integração das ações de maneira interministerial. A divisão das áreas em ministérios deveria ter a finalidade de aumentar a governabilidade e não de fracionar o Estado, dificultando sua ação. Este desafio está diretamente ligado a construção de novas práticas administrativas dentro do Estado, tais como a: - Criação de uma prática permanente de constituição de grupos interministeriais para atuação em políticas públicas, mesmo setoriais que, de alguma maneira, afetem a área da cultura. - Elaboração de ações políticas conjuntas com a área da educação. Uma questão que apresenta grandes desafios, também ligada ao relacionamento interministerial, é a da circulação de conteúdos culturais através dos meios de comunicação de massa. Um ponto fundamental dentro de um projeto que objetiva a democracia cultural é o do reconhecimento da importância que os meios de comunicação assumiram na constituição das sociedades modernas e a posição central que eles ocupam na atualidade. O debate sobre comunicação e cultura estrutura-se, além do mais, a partir da compreensão de que ambos são direitos humanos inalienáveis, e assim devem ser encarados por qualquer governo ou governante. A problemática que se coloca aqui é a da ampliação do nível de participação do conjunto da sociedade nos diversos níveis de gestão e de produção da cultura e nos canais de circulação dessa produção. A gestão atual do Minc realizou avanços significativos no sentido de colocar a cultura dentro da agenda política do governo, fez com que ela deixasse de ter um papel praticamente decorativo entre as políticas governamentais. Porém, novas questões se colocam. As reformas realizadas forneceram as condições mínimas de funcionamento para o Ministério. Estão abertos novos campos de atuação, nos quais os técnicos da área da cultura têm sido chamados para participar de alguns fóruns de decisão. O grande desafio é transformar esse complexo de ações em políticas que possam ter alguma garantia de continuidade nas próximas décadas. Foram estabelecidos canais de diálogos com as administrações municipais e estaduais, com o objetivo de criar um Sistema Nacional de Cultura. Nesse mesmo processo estão envolvidos representantes da área artístico-cultural e da sociedade civil em geral. A continuidade do processo implica em delimitação real de direitos e deveres de cada um dos grupos participantes, que devem se tornar parceiros e co-responsáveis. Outra questão prioritária é a da gestão da informação. A elaboração de políticas requer conhecimento sobre o tema. O planejamento demanda a existência de um mínimo de dados. A criação de um Sistema Nacional de Cultural é uma das possíveis formas de garantir as parcerias necessárias para a construção de um Sistema Nacional de Informações Culturais. A função da elaboração de políticas públicas na área de cultura deve ser a de garantir plenas condições de desenvolvimento da mesma. O Estado não deve ser um produtor de cultura, mas pode e deve ter a função de democratizar as áreas de produção, distribuição e consumo. Cultura é fator de desenvolvimento.




No Programa Liberdade de Expressão gravado dia 29 de maio de 2008, foi tratado o tema RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA.
Na mesa de debates, Pai Ivo de Xambá, Professor Jorge Arrudam Secretário Executivo do Cepir-Comitê? Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Dito D'Oxóssi, Sacerdote da Casa de Matriz Africana Ylê Asé Ayrá Adjáosi, que é a casa religiosa do Afoxé Ylê de Egbá e a Yalorixá Mãe Jane de Egunnytá
Pai Ivo de Xambá, Jorge Arruda, Miguel Farias, Dito d'Oxóssi, Mãe Jane, Thais Pàranhos e o Cantor e Compositor Israel Fiho
PAI IVO DE XAMBÁ
PROFESSOR JORGE ARRUDA, SECRETÁRIO DO CEPIR-COMITÊ ESTADUAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL
Pernambuco tem, pela primeira vez, um serviço específico para cuidar do combate às desigualdades raciais. O Governo do Estado, em parceria com diversas secretarias estaduais, criou o Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (Cepir), que tem o objetivo de organizar e concentrar as ações voltadas para a pluralidade pernambucana, principalmente para parcela da população com carência de políticas públicas. As pastas serão as de Educação, Articulação Social, Juventude e Emprego, Mulher, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Defesa Social e Saúde. O secretário-executivo do projeto é o professor Jorge Arruda.
Segundo Jorge Arruda, há o interesse de que seja desenvolvido um plano estadual para a igualdade racial, principalmente, porque , a cada segundo, em Pernambuco, uma pessoa é vítima de discriminação do tipo. O grupo que compõe o Cepir faz reuniões a cada 15 dias,para conclusão do documento que irá nortear a política de combate ao racismo no Estado, a implementação da lei 10.639, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira e a qual prevê a obrigatoriedade do ensinamento da cultura afro e afro-brasileira, nas escolas do País. Todas os grupos étnicos serão representados pelo Cepir, desde negros, a árabes e ciganos, todos terão espaço igual na iniciativam pautando sempre a unidade, em meio à diversidade,conforme deseja o governador Eduardo Campos. É uma conquista histórica para todas as etnias. Nunca houve em Pernambuco uma política específica para a temática da pluralidade racial, como este que está sendo realizado pelo CEPIR. O comitê está instalado no Palácio do Campo das Princesas.
MIGUEL FARIAS, produtor a apresentador do Programa Liberdade de Expressão
DITO D'OSSÓSSI
Sacerdote da Casa de Matriz Africana Ylê Asé Ayrá Adjáossi, fundada em 17 de agosto de 1986 no bairro Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife, a Entidade de Cultura Negra Afoxé Ylê de Egbá é oriunda do centro de Candomblé Ilê-Axé? Ayra Ajaóssi, tendo como presidente da agremiação Expedito de Paula Neves (Babalaô), mais conhecido como Dito D'Oxossi. O Ylê de Egbá é formado por vários segmentos que cuidam de sua organização, entre eles o Afoxé, grupo de ritmistas, cantores e compositores responsável pela parte musical da entidade. O Afoxé mescla o toque do "Ijexá" (ritmo afro) a vários outros ritmos das nações yorubás que vieram para o Brasil, resultando arranjos e músicas com interessantes variações rítmicas, dando um "toque" singular à batida do grupo através de xequerês, atabaques, ganzás e agogôs, entre outros instrumentos específicos dessas nações negras. Foi o primeiro afoxé pernambucano a participar da tradicional "Noite dos Tambores Silenciosos", encontro de maracatus-nação que ocorre no carnaval recifiense. Outros segmentos do Ylê de Egbá são o Imalê, grupo formado por ogans alabês (percussionistas de terreiro); o Egbe de Xangô, Sociedade dos Filhos de Xangô (Orixá que representa a Entidade) e o Imalê Mirim, a Ala infantil do afoxé. Destaca-se também a importância do Ilê Axé, templo religioso no qual acontecem todos os ritos ligados à religião negra. A entidade também desenvolve várias atividades comunitárias, educacionais e de preservação da cultura negra, participando de eventos
MÃE JANE DE EGUN NYTÁ
Jane tem 60 anos de vida. colares coloridos e brincos dourados. Maquiagem leve e batom vermelho. Linda! Mãe Jane, Cinqüenta anos de "santo" e um dos símbolos maiores dos Terreiros de Matriz Africana em Pernambuco. Filha de família católica, aluna de colégios de freiras, aos 8 anos diz que começou a receber as primeiras "manifestações". A repressão começou dentro de casa. A sua luta também, Mãe Jane falou de sua ideologia religiosa.. Falou dos seus deuses.
. Mãe Jane possui a 40 anos um Terreiro na Cidade Tabajara, em Olinda: o Ileaxéloya Egunyta. Em quatro décadas viu as mudanças na relação entre os Terreiros e a sociedade - sobretudo dentro das comunidades em que estão instalados. Hoje ela se divide entre religião, política e ações sociais e culturais. Participa ativamente de dezenas de movimentos. Recebe cestas básicas e leite do governo e tem o dever de distribuí-los entre outros centros religiosos. Dentro da sua casa, criou um núcleo de informática para capacitar jovens carentes. E ainda organiza campeonatos de futebol e festas folclóricas (como quadrilhas de São João) na comunidade. Todo esse trabalho tende a se intensificar com o Mapeamentos dos Terreiros, que vem sendo realizado pelo governo do estado - justamente para poder investir no potencial social desses locais. "Ainda assim, sou muito criticada. E ainda há muita repressão contra as religiões de matriz afriacana. Muitos católicos e evangélicos vão ao terreiro, mas não revelam. Como se estivessem fazendo algo errado", conta Mãe Jane.O sincretismo religioso - revelado por Jane - surgiu desde a época da escravidão. A aproximação com o catolicismo foi uma espécie de forma encontrada pelos escravos para resistir a perseguição.
RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA
O conceito de negrofobia, utilizado para explicar um sentimento de temor no imaginário coletivo quando o assunto é religião africana, terreiros de candomblé, cultos de descarrego e outros temas relacionados, revelam um medo incontido das coisas negras, como algo misterioso e medonho. As pessoas alimentam estereótipos de coisas que não conhecem..
A apropriação de termos religiosos em canções populares, como a que ocorre na música Dandalunda, interpretada pela cantora Margareth Menezes, revelam uma nítida massificação do sagrado. Muita gente nem ao menos sabe o que significa dandalunda. O termo – um outro nome para Iemanjá, a mãe de todos os orixás – aparece no refrão da música: ‘dandalunda, maibanda, coque’.
TERREIROS DE CANDOMBLÉ – Taxar cultos negros como algo exótico é, para o educadores uma das idéias que mais agridem as manifestações religiosas de matrizes africanas. O terreiro de candomblé não é uma sala especial de museu, onde um turista pode participar das manifestações para experimentar a religião. Candomblé não é um espetáculo como, muitas vezes, fazem parecer.
Em Pernambuco está sendo feito um mapeamento dos terreiros de candomblé e umbanda para localizá-los para fortalecer a cultura afro e o governo do Estado que criou o CEPIR, está promovendo esse levantamento o que é importante porque muitas casas não têm a isenção fiscal que é de direito das instituições religiosas. O número de brasileiros que tem o candomblé como religião oficial é de mais de três milhões
Candomblé, umbanda e omolocô são religiões de matriz africana expressivas no Brasil, pouco se conheee sobre elas.
Há uma "endemonização" das manifestações que não sejam as oficiais "Não ser cristão nesse país é um peso muito grande" e o Brasil conta com a banalização do sagrado. "O meu sagrado é importante e o do outro não. Até que ponto o Estado contribui para reverter esse quadro."?
Os negros sempre sofreram com a intolerância religiosa porque o Brasil não assume o quanto é plural e diverso, No entanto, o quadro vem mudando, por influência do movimento negro. Hoje os negros não têm mais vergonha de usar suas contas; hoje o povo do santo está mais ereto, com a cabeça erguida
Alguns fatos têm contribuído para que as mudanças ocorram mais ràpidamente
Mobilização dos Religiosos afro-brasileiros e simpatizantes para um olhar mais sensível e atento para o ãmago da Religião africanista;
Valorização da tradição e história oral, preservando as riquezas culturais e a memória coletiva
Incentivo a Pesquisa e história de Lideranças afro-religiosas propiciando organização de acervo, sensibilizando educadores e/ou profissionais em educação para que incluam em projetos pedagógicos a temática etnico-racial religiosa;
Fortalecimento da auto-estima das crianças e adolescentes afr-desecendentes religiuosos, incntivando-os na busca do conhecimento de suas raízes.
Contribuir no processo de resgate de auto-estima e identidade do povo negro impondo barreiras frente a intolerãncia Religiosa e racial;
Respeito aos mais velhos, valorizando sua memória e sabedoria na preservação da cultura e história ancestral;
Consolidação dos terreiros como espaço de resistência, vida, saúde, acolhimento e cuidado com o outro, resgatando desta forma seu verdadeiro papel na sociedade.




No Programa Liberdade de Expressão gravado dia 29 de maio de 2008, foi tratado o tema RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA.
Na mesa de debates, Pai Ivo de Xambá, Professor Jorge Arrudam Secretário Executivo do Cepir-Comitê? Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Dito D'Oxóssi, Sacerdote da Casa de Matriz Africana Ylê Asé Ayrá Adjáosi, que é a casa religiosa do Afoxé Ylê de Egbá e a Yalorixá Mãe Jane de Egunnytá
Pai Ivo de Xambá, Jorge Arruda, Miguel Farias, Dito d'Oxóssi, Mãe Jane, Thais Pàranhos e o Cantor e Compositor Israel Fiho
PAI IVO DE XAMBÁ
PROFESSOR JORGE ARRUDA, SECRETÁRIO DO CEPIR-COMITÊ ESTADUAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL
Pernambuco tem, pela primeira vez, um serviço específico para cuidar do combate às desigualdades raciais. O Governo do Estado, em parceria com diversas secretarias estaduais, criou o Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (Cepir), que tem o objetivo de organizar e concentrar as ações voltadas para a pluralidade pernambucana, principalmente para parcela da população com carência de políticas públicas. As pastas serão as de Educação, Articulação Social, Juventude e Emprego, Mulher, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Defesa Social e Saúde. O secretário-executivo do projeto é o professor Jorge Arruda.
Segundo Jorge Arruda, há o interesse de que seja desenvolvido um plano estadual para a igualdade racial, principalmente, porque , a cada segundo, em Pernambuco, uma pessoa é vítima de discriminação do tipo. O grupo que compõe o Cepir faz reuniões a cada 15 dias,para conclusão do documento que irá nortear a política de combate ao racismo no Estado, a implementação da lei 10.639, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira e a qual prevê a obrigatoriedade do ensinamento da cultura afro e afro-brasileira, nas escolas do País. Todas os grupos étnicos serão representados pelo Cepir, desde negros, a árabes e ciganos, todos terão espaço igual na iniciativam pautando sempre a unidade, em meio à diversidade,conforme deseja o governador Eduardo Campos. É uma conquista histórica para todas as etnias. Nunca houve em Pernambuco uma política específica para a temática da pluralidade racial, como este que está sendo realizado pelo CEPIR. O comitê está instalado no Palácio do Campo das Princesas.
MIGUEL FARIAS, produtor a apresentador do Programa Liberdade de Expressão
DITO D'OSSÓSSI
Sacerdote da Casa de Matriz Africana Ylê Asé Ayrá Adjáossi, fundada em 17 de agosto de 1986 no bairro Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife, a Entidade de Cultura Negra Afoxé Ylê de Egbá é oriunda do centro de Candomblé Ilê-Axé? Ayra Ajaóssi, tendo como presidente da agremiação Expedito de Paula Neves (Babalaô), mais conhecido como Dito D'Oxossi. O Ylê de Egbá é formado por vários segmentos que cuidam de sua organização, entre eles o Afoxé, grupo de ritmistas, cantores e compositores responsável pela parte musical da entidade. O Afoxé mescla o toque do "Ijexá" (ritmo afro) a vários outros ritmos das nações yorubás que vieram para o Brasil, resultando arranjos e músicas com interessantes variações rítmicas, dando um "toque" singular à batida do grupo através de xequerês, atabaques, ganzás e agogôs, entre outros instrumentos específicos dessas nações negras. Foi o primeiro afoxé pernambucano a participar da tradicional "Noite dos Tambores Silenciosos", encontro de maracatus-nação que ocorre no carnaval recifiense. Outros segmentos do Ylê de Egbá são o Imalê, grupo formado por ogans alabês (percussionistas de terreiro); o Egbe de Xangô, Sociedade dos Filhos de Xangô (Orixá que representa a Entidade) e o Imalê Mirim, a Ala infantil do afoxé. Destaca-se também a importância do Ilê Axé, templo religioso no qual acontecem todos os ritos ligados à religião negra. A entidade também desenvolve várias atividades comunitárias, educacionais e de preservação da cultura negra, participando de eventos
MÃE JANE DE EGUN NYTÁ
Jane tem 60 anos de vida. colares coloridos e brincos dourados. Maquiagem leve e batom vermelho. Linda! Mãe Jane, Cinqüenta anos de "santo" e um dos símbolos maiores dos Terreiros de Matriz Africana em Pernambuco. Filha de família católica, aluna de colégios de freiras, aos 8 anos diz que começou a receber as primeiras "manifestações". A repressão começou dentro de casa. A sua luta também, Mãe Jane falou de sua ideologia religiosa.. Falou dos seus deuses.
. Mãe Jane possui a 40 anos um Terreiro na Cidade Tabajara, em Olinda: o Ileaxéloya Egunyta. Em quatro décadas viu as mudanças na relação entre os Terreiros e a sociedade - sobretudo dentro das comunidades em que estão instalados. Hoje ela se divide entre religião, política e ações sociais e culturais. Participa ativamente de dezenas de movimentos. Recebe cestas básicas e leite do governo e tem o dever de distribuí-los entre outros centros religiosos. Dentro da sua casa, criou um núcleo de informática para capacitar jovens carentes. E ainda organiza campeonatos de futebol e festas folclóricas (como quadrilhas de São João) na comunidade. Todo esse trabalho tende a se intensificar com o Mapeamentos dos Terreiros, que vem sendo realizado pelo governo do estado - justamente para poder investir no potencial social desses locais. "Ainda assim, sou muito criticada. E ainda há muita repressão contra as religiões de matriz afriacana. Muitos católicos e evangélicos vão ao terreiro, mas não revelam. Como se estivessem fazendo algo errado", conta Mãe Jane.O sincretismo religioso - revelado por Jane - surgiu desde a época da escravidão. A aproximação com o catolicismo foi uma espécie de forma encontrada pelos escravos para resistir a perseguição.
RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA
O conceito de negrofobia, utilizado para explicar um sentimento de temor no imaginário coletivo quando o assunto é religião africana, terreiros de candomblé, cultos de descarrego e outros temas relacionados, revelam um medo incontido das coisas negras, como algo misterioso e medonho. As pessoas alimentam estereótipos de coisas que não conhecem..
A apropriação de termos religiosos em canções populares, como a que ocorre na música Dandalunda, interpretada pela cantora Margareth Menezes, revelam uma nítida massificação do sagrado. Muita gente nem ao menos sabe o que significa dandalunda. O termo – um outro nome para Iemanjá, a mãe de todos os orixás – aparece no refrão da música: ‘dandalunda, maibanda, coque’.
TERREIROS DE CANDOMBLÉ – Taxar cultos negros como algo exótico é, para o educadores uma das idéias que mais agridem as manifestações religiosas de matrizes africanas. O terreiro de candomblé não é uma sala especial de museu, onde um turista pode participar das manifestações para experimentar a religião. Candomblé não é um espetáculo como, muitas vezes, fazem parecer.
Em Pernambuco está sendo feito um mapeamento dos terreiros de candomblé e umbanda para localizá-los para fortalecer a cultura afro e o governo do Estado que criou o CEPIR, está promovendo esse levantamento o que é importante porque muitas casas não têm a isenção fiscal que é de direito das instituições religiosas. O número de brasileiros que tem o candomblé como religião oficial é de mais de três milhões
Candomblé, umbanda e omolocô são religiões de matriz africana expressivas no Brasil, pouco se conheee sobre elas.
Há uma "endemonização" das manifestações que não sejam as oficiais "Não ser cristão nesse país é um peso muito grande" e o Brasil conta com a banalização do sagrado. "O meu sagrado é importante e o do outro não. Até que ponto o Estado contribui para reverter esse quadro."?
Os negros sempre sofreram com a intolerância religiosa porque o Brasil não assume o quanto é plural e diverso, No entanto, o quadro vem mudando, por influência do movimento negro. Hoje os negros não têm mais vergonha de usar suas contas; hoje o povo do santo está mais ereto, com a cabeça erguida
Alguns fatos têm contribuído para que as mudanças ocorram mais ràpidamente
Mobilização dos Religiosos afro-brasileiros e simpatizantes para um olhar mais sensível e atento para o ãmago da Religião africanista;
Valorização da tradição e história oral, preservando as riquezas culturais e a memória coletiva
Incentivo a Pesquisa e história de Lideranças afro-religiosas propiciando organização de acervo, sensibilizando educadores e/ou profissionais em educação para que incluam em projetos pedagógicos a temática etnico-racial religiosa;
Fortalecimento da auto-estima das crianças e adolescentes afr-desecendentes religiuosos, incntivando-os na busca do conhecimento de suas raízes.
Contribuir no processo de resgate de auto-estima e identidade do povo negro impondo barreiras frente a intolerãncia Religiosa e racial;
Respeito aos mais velhos, valorizando sua memória e sabedoria na preservação da cultura e história ancestral;
Consolidação dos terreiros como espaço de resistência, vida, saúde, acolhimento e cuidado com o outro, resgatando desta forma seu verdadeiro papel na sociedade.